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Uma operação financeira permite que as empresas evitem o imposto sobre cheques

Gestão de caixa para empresas: como usar fundos money market para otimizar a liquidez

mulher sorrindo com camiseta branca de gola redonda

Mariano Gorodisch

Escritor no El Cronista

Dicas financeiras

Uma nuvem azul pálida

Na Argentina, gerir bem o caixa não é apenas uma questão de organização financeira. Também pode impactar o custo operacional e tributário de uma empresa.

Em uma matéria de El Cronista, diferentes especialistas explicam que cada vez mais empresas usam uma operação de cash management que consiste em enviar cheques para compensação na Bolsa e aplicar em fundos comuns de investimento, especialmente fundos money market, para obter rendimento transitório e reduzir parte do custo associado ao imposto sobre débitos e créditos.

Além da manchete, o interessante não é o “rulo”. O interessante é o aprendizado de fundo: uma boa tesouraria não deixa o caixa parado nem o movimenta sem critério.

O que algumas empresas estão fazendo

Segundo a matéria, muitas empresas instruem suas ALyCs para que enviem cheques a compensar ao mercado e utilizem esses pesos para aplicar em diferentes fundos comuns de investimento. Adriana Marinelli define isso como uma “tática de cash management” e aponta que, mesmo com queda de juros, ainda há fluxo para money market para evitar o custo do imposto sobre cheques e as retenções associadas.

José Bano acrescenta que cada FCI tem associada uma conta bancária isenta do imposto sobre cheques, o que permite deixar o dinheiro por um dia e resgatá-lo no dia seguinte para usá-lo dentro do sistema bursátil, evitando 0,6% na ida e 0,6% na volta.

Em outras palavras: algumas empresas estão usando instrumentos de curtíssimo prazo não só para obter rendimento sobre saldos transitórios, mas também para administrar melhor o custo de movimentar dinheiro.

Que dica financeira isso deixa para uma PME

A dica não é “copie essa operação amanhã”.
A dica real é outra:

se sua empresa movimenta caixa todos os dias, você precisa pensar a tesouraria como uma função estratégica, não como um caixa de passagem.

Muitas PMEs ainda operam assim:

  • recebem em uma conta

  • transferem para outra

  • pagam a partir de outra

  • deixam saldos imobilizados

  • revisam tudo ao final do dia ou da semana

E, nesse caminho, perdem três coisas:

  • rendimento sobre saldos transitórios

  • visibilidade real da liquidez

  • eficiência operacional e tributária

A matéria de El Cronista mostra justamente isso: que a gestão de caixa também pode ser desenhada.

Quando faz sentido olhar para money market

Os fundos money market costumam entrar na conversa quando uma empresa:

  • tem saldos ociosos de curtíssimo prazo

  • precisa de liquidez diária

  • não quer imobilizar caixa

  • busca uma gestão mais precisa entre recebimentos e pagamentos

Na matéria, Emiliano Franco explica que as empresas os usam no dia a dia para investir o cash flow, obter rendimento e, além disso, evitar o imposto sobre débitos e créditos porque esses fundos são isentos. Ele também ressalta que esse tipo de investimento cresceu consideravelmente nos últimos anos.

Agora, isso não significa que seja uma receita universal. Significa que o caixa pode ser trabalhado.

Atenção: otimizar não é improvisar

Aqui está o ponto sensível.

A mesma matéria traz um alerta de Juan Truffa, diretor da Outlier: se a operação for abusada, pode haver questionamentos da AFIP em uma fiscalização integral; já se não for algo habitual, não deveria trazer inconvenientes.

Por isso, esse tipo de decisão não deve ser tomada como “esperteza financeira”, e sim como parte de uma estratégia organizada de tesouraria, idealmente validada com consultores tributários e financeiros.

Minha opinião firme:
se uma empresa não tem visibilidade diária do seu caixa, não deveria começar por essas jogadas.
Primeiro precisa resolver o básico:

  • onde está o dinheiro

  • o que entra

  • o que sai

  • quais vencimentos vêm

  • quais saldos estão ociosos

  • qual movimentação gera custo desnecessário

Sem isso, qualquer otimização é improvisação.

O problema de fundo não é o imposto: é a falta de visibilidade

O mais forte desta matéria não é a economia de um imposto específico.

O mais forte é que ela expõe algo muito mais profundo: muitas empresas não têm uma camada de tesouraria que lhes permita decidir bem o que fazer com seu caixa, mesmo quando a decisão é tão simples quanto deixar o dinheiro parado, movê-lo ou investi-lo por 24 horas.

Aí está o verdadeiro problema argentino de tesouraria:

  • contas demais

  • decisões manuais demais

  • pouca consolidação

  • acompanhamento diário insuficiente

  • pouca rastreabilidade sobre o uso da liquidez

O que uma PME argentina deveria fazer hoje

Se você quiser transformar isso em uma dica prática, seria esta:

1. Mapear todo o seu caixa em um só lugar

Não só bancos. Também carteiras, fundos, contas arrecadadoras e saldos transitórios.

2. Separar a liquidez operacional dos saldos ociosos

Nem todo o dinheiro precisa ficar parado. Mas também não dá para deixar todo o dinheiro investido.

3. Revisar o custo de movimentar dinheiro

Na Argentina, a forma como você movimenta o caixa também tem impacto financeiro e tributário.

4. Ter uma política simples de uso de excedentes de curto prazo

Mesmo que seja básica. O que fica líquido, o que é investido, por quanto tempo, com qual critério.

5. Evitar decisões artesanais

Se cada movimentação depender de uma pessoa olhando o internet banking, você chega tarde.

O que isso tem a ver com a Fonder

Muito.

Porque esse tipo de decisão só se torna repetível quando uma empresa tem:

  • visibilidade consolidada de caixa

  • acompanhamento em tempo real

  • projeção de fluxo de caixa

  • menos trabalho manual para entender o que está acontecendo

A Fonder aponta exatamente para isso: dar às empresas uma camada de tesouraria mais clara para que não gerenciem sua liquidez no escuro, entre bancos, ERP e Excel.

No fim, a melhor dica financeira não é “faça uma manobra pontual”.
É esta:

entenda seu caixa todos os dias, porque um caixa mal gerido sai muito mais caro do que qualquer comissão ou imposto isolado.

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